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Vareta Funda

O blog dos orizicultores do Concelho de Manteigas


segunda-feira, agosto 08, 2005

EQUADOR

A Epopeia portuguesa em África.



A embarcação saíra de Lisboa no Ano da Graça de mil quatrocentos e vinte seis. Era uma caravela de dezoito braças com dezasseis homens a bordo, navegando de cabotagem pela costa de Africa em direcção ao Sul. Depois de cinco semanas ao largo da costa da Barbária e passado o Bojador já ia baixa a Tramontana. Tinham navegado á bolina durante duas semanas, mas agora vogavam mais rapidamente levados pela corrente das Canárias. O piloto Martim Soares pesava o sol e estimava a latitude sentado numa barrica, com o portulano aberto sobre o colo. Alguns marinheiros faziam pequenas correcções no velame sob as ordens do contramestre. A maior parte ocupava-se de pequenos assuntos de bordo, como remendar nós ou tratar das refeições. O calor e o ar abafado favoreciam a lassidão. O capitão olhava a bombordo tentando vislumbrar a boca de algum rio na costa verde-escura que se entrevia por detrás da neblina. Decidiu dirigir-se a terra.

A embarcação vogava para montante do rio ladeada de grossa floresta de mangue ante o pasmo dos marinheiros. Aportaram numa enseada arenosa a umas três léguas da costa.

-“Ulhe! Sus! Olhai dois moiros cafres” Parece que vêm à nossa roda, capitão”. – Disse um marinheiro que se aventurara a umas trinta jardas da embarcação.

Os outros afadigavam-se a descarregar o padrão de pedra trazido desde Lisboa. Vinha sujo do lodo náutico acumulado no fundo do porão e estava a ser limpo. Cheirava mal e uma nuvem de mosquitos importunava os homens nauseados pelo cheiro fétido.

O capitão aproximou-se de um dos cafres de cara pintada que tinha um escudo, uma lança com plumas e que olhava curioso os homens. Inspeccionavam os gibões sujos dos marinheiros. Um mexeu curioso na barba dum marinheiro.

-“Ai uê? Uê lê lê Damaia , tá-se bem, môm?...” – Algaraviou

- “Sus! Este aqui quer folia, capitão…” – Disse o marinheiro.

Hildo Martins, também conhecido a bordo por Amélia Puta Relaxada e pelos grossos cagalhões que largava borda fora, da grossura de braços e que atraiam muito peixe, começou a sugar com gula o marsapo do cafre enquanto o capitão impingia aos pretos uns panos de fiouco, umas missangas e uns talos de couve a troco de pepitas de ouro, escravos da tribo N´Gambo e muitas presas de elefante.

O capelão de bordo baptizava os pretinhos ranhosos que se aproximavam curiosos.

Os pretos foram postos a alancar com baldes de massa na construção da feitoria - S. Jorge da Mina.

-“Sim, porque isto é uma grande “mina”. – pensava o capitão esfregando as mãos enquanto uma mulher nativa lhe deglutia o pireto com sofreguidão.

Alguns pretos já baptizados foram postos de cipaios e os sobas engraxados com umas medalhas (a troco de umas vacas). A Junta de Colonização reunia.

- “Como se chama esta estranha beberragem castanha com sabor a queimado, rapaz?”

- “É os café, patrão”

- “Ok. Mas para a próxima não desabocanhes, rapaz”

- “Sim patrão”.

Os problemas de integração multicultural eram resolvidos com celeridade, metendo os que levantavam cabelo em naus a caminho das plantações de cana no Brasil, entretanto descoberto e já adiantado em colonização.

Um cafre lamentoso cantava “naquela roça grande, não tem chuva… monanganbê (…)” arrastando as grilhetas. O capitão palitava os dentes. Um cão cagava a um canto uma diarreia rala e esbranquiçada. Um hipopótamo ejaculava, enquanto os macaquinhos trepavam ás árvores e os brancos iam à discoteca do Bairro Salazar beber whisky e comer camarão tigre da Matola e do Siripipi do Cabuletê. Na metrópole, o Rei ansiava por notícias enquanto afagava os tomates do seu namorado.

As bananas em Lisboa eram agora muito baratas e os nativos andavam felizes a cantar e a bailar.

FIM

Arrotos do Porco:

Haja quem nos recorde estas muy belas e doiradas páginas da nossa história! O Senhor Assento é um génio da palavra escrita e da divulgação científica!




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