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Vareta Funda

O blog dos orizicultores do Concelho de Manteigas


segunda-feira, abril 25, 2005

Foi por ele que tive medo pela primeira vez. Porque ia a reuniões clandestinas e trazia papeis proibidos para casa. Habituei-me desde muito cedo a ter medo quando o via sair sozinho à noite. Quis saber porque tínhamos medo e ele explicou-me. Que sim, que era preciso ter medo, mas que o medo se deve enfrentar com a força da razão e da justiça dos ideais que temos obrigação de defender. Tinha pouco mais de dez anos mas ele ensinou-me o que era o Regime em que vivíamos, o que nos era proibido, que as pessoas iam presas e eram torturadas, o que era o Fascismo e o Comunismo e principalmente o que era a Liberdade e que nós vivíamos sem ela.

Naquela manhã, quando o telefone tocou a avisar que a Revolução estava na rua e que, por favor, ficássemos em casa, foi dele que obtive a permissão para ir vivê-la em primeira mão. Vamos ter Liberdade? Vamos. E fomos os dois para rua, porque nem uma Revolução o fazia faltar ao trabalho e era preciso ter a certeza que não era mentira, que desta vez é que era. E eu que fosse para a Escola, não se faltam às obrigações, mas que fosse de olhos bem abertos porque o que visse pelo caminho era História.

Foi também com ele que gritei as primeiras palavras de ordem naquele primeiro 1º de Maio. Ele feliz porque agora todos tinham feriado e eu porque não haveria mais nenhum 1º de Maio passado em angústia até que ele voltasse para casa, naquele dia que só ele não ia trabalhar e corria perigo por comemorar um dia que mais ninguém parecia comemorar.

Militámos juntos no mesmo Partido defendendo o que com ele aprendi a considerar justo lutando por princípios que ele me ensinou serem sagrados.

Apesar de ele não se lembrar eu não me vou poder esquecer nunca.

Arrotos do Porco:


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