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Vareta Funda

O blog dos orizicultores do Concelho de Manteigas


quinta-feira, dezembro 28, 2006

Johnny Cash - Hurt

Um dos melhores vídeos de sempre, porque me apetece.
Original dos Nine inch Nails (1994 - The Downward Spiral)



I hurt myself today
To see if I still feel
I focus on the pain
The only thing that's real
The needle tears a hole
The old familiar sting
Try to kill it all away
But I remember everything
[Chorus:]
What have I become
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end
And you could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt
I wear this crown of thorns
Upon my liar's chair
Full of broken thoughts
I cannot repair
Beneath the stains of time
The feelings disappear
You are someone else
I am still right here
[Chorus:]
What have I become
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end
And you could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt
If I could start again
A million miles away
I would keep myself
I would find a way

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Triffids - Bury me deep in love

O vídeo não é grande merda mas a canção é imortal (ao contrário do grande David McComb, que a compôs e cantou) e aqui fica, para todos os que percebem que o Natal é, se quisermos, uma celebração do carácter sagrado do amor - ou do que queiram chamar a esta fantochada que nos traz distraídos... Que é como quem diz: "Jingle bells o caralho... Abre as pernas e bury me deep in love..."




Natal, Tempo de Poesia ou Novas Flores para Crianças



A célebre Lêndea de Belém
Deu à luz um piolho
Não se sabia ao certo quem
Seria pai do pimpolho

“Foi o pente!, foi o pente!”,
Começou-se a dizer,
E o pente, meio de repente,
Foi o último a saber

Nisso não cuidava o piolho
Dependurado do seio da Lêndea
Fonte de farto e doce molho
(Quem tem tal vaca não... vende-a)

Pouco raladiço crescia
(O pente, seu pai, passando ao largo
Esmorecendo mais a cada dia
Em tudo achando um gosto amargo)

Na liberdade que o rodeava
Medrava-lhe génio e coração
A todos quantos encontrava
Os apodava de irmão

Uns havia que achavam graça
A tão ingénua lucidez
Outros, por inveja ou pirraça,
Tratavam-no com rispidez

À sua volta foi juntando
Numerosa piolhagem
A comichão aumentando
Nos que odiavam a mensagem

Certo dia tenebroso
Duas figuras lhe apareceram
“Eu sou a unha, ele é o Quitoso”
E logo ali o prenderam:

“O teu pai não te educou
- ou quem tua mãe pôs por tal –
Mas agora se te acabou
A vida anti-convencional!”

Muito a Lêndea de Belém
Chorou por ele... debalde!
Até que s’amigou d’alguém
E ficou Lêndea de Ramalde

Nem génio nem coração
Medram agora naquele cabeço
Mas volta às vezes a comichão
E o fascínio do recomeço

sábado, dezembro 16, 2006

O Mais Belo Conto de Natal – 2006

Por aqueles dias, que não interessa para o caso quais eram, havia expectativa, medo e alguns sorrisos nas caras das crianças da Freixianda.

(Não. Minto. A história da Freixianda tem a sua graça mas não é o mais belo conto de Natal. Vamos lá a ver se acerto.)

“Vou-te oferecer uma arca em folha de alumínio para guardares o teu enxoval.”, disse-lhe a mãe, com aquele ar sumamente satisfeito de quem faz pela filha o que não puderam fazer por ela.

(Bolas. Se me cai o pé para o neo-realismo ainda pensam que eu sou o fantasma do Fernando Namora… Claro: podia sempre tergiversar para a lenda e criar um daqueles milagres de Natal em que a arca apareceria, na manhã de 25, cheia de moedas de ouro ou exemplares da primeira edição do “Eu, Carolina” mas seria coisa batida e requentada, com o ambiente campestre e a menina larvar que se transforma em luzidia borboleta até que um qualquer artolas lhe cortasse as asas e o himen… pouco natalício, pouco belo… ainda não é isto. Tentemos outra vez.)

Paulo chegava a casa carregado com sacos do Tokyu Store de Gotanda. “Ainda tenho que desfiar o bacalhau… É melhor fazê-lo à Gomes de Sá que os japoneses, se o vêem à posta, não sabem por onde é que se lhe pega…”. Pousou os sacos, abriu uma lata de Georgia Emeral Mountain Blend e apeteceu-lhe ouvir o “Child” da Jane Siberry. Mal pusera o disco a tocar, tocaram também à campaínha. “Porra! Não me digam que alguém trocou as horas e já me vai aparecer aí quando eu não tenho nada pronto!”. Abriu a porta e sorriu-lhe um japonês solícito, da companhia Sagawa, para lhe entregar uma encomenda. Assinada a papelada e trocadas as palavras da ordem, com muitos “s” sibilantes no final de cada frase, Paulo viu-se com um pacote de cartão quadrado nas mãos, medindo sensivelmente 37x37cm. “Hmm… Não tem remetente. Deve ser uma lâmpada flourescente das redondas que o senhorio mandou para trocar a do quarto pequeno.” Foi à cozinha buscar uma faca, tarefa mais complexa do que pode parecer se levarmos em conta a confusão que grassava nas gavetas, e predispôs-se a abrir a encomenda. Lá dentro, sem um cartão, sem uma palavra, estavam 4 discos em vinil: o “Atlântida” da Lena d’Água; o “Alibi” da Manuela Moura Guedes, o “Into the night” dos Taxi e o “Ocidente Infernal” do Pedro Ayres de Magalhães…

(Materialista. Não se coaduna com a estação. Seria um bonito milagre mas não o mais belo conto de Natal. O registo pessoal até vai bem mais ainda não é isto. A ver se é desta…)

Paulo metia a chave à porta de casa, pensando em tudo o que ainda tinha para fazer. “Tenho que enviar os cd’s que gravei; tenho que comprar mais umas pendas, tenho que ver se finalmente mando os cartões de Natal e tenho que pregar o botão do colarinho da camisa branca que ainda está boa e não vale pena põr de lado.” Abriu a porta, acenderam a luz e gritaram “Surpresa!”.
À sua espera estavam:
A Mãe
O Pai
O Mário
O Carlos
A Guida
O João
O Manuel
O Puto, a Martita, a Janita, o Pedro e a Maki, o Ricardo e a Ana, o Zé, o Lourenço, o Diego, a Lena, a Elisabete, o João Coelho, a Sandra, o André, a Ana Cláudia, a Marta e o Steven, o Hugo, o Francisco, o Moura, a Filipa, a Madalena, a Andrea, o Assento, o Bock, a Estounua, o Fodimedes, a Saltita, o FêPê, o finO, a Dentada, o G2, o Papa, o Sandro, o Priapo, a TT, o Galhão, o Zé Cu, o Chouras, , a Lex, a Soda, a Lui, a Luz, a Diza, a Boobs, a Quicas, o Mimalho, o Nymoma, o Clonito, o Jiro, o Koizumi, a Suzuki, a Atsuko, fora os outros que estavam à espera no terraço.

(Pronto. Assim, sim. Aqui está o mais belo conto de Natal, saison 2006.)

quarta-feira, dezembro 13, 2006



OS INFORTÚNIOS DO OPTIMISMO

As suas faces róseas, firmes carnes e o loiro pelo de pêssego beijaria com languidez e desvelo. A virilha bem marcada na perna gorda, entrevendo o pêlo doirado da cuidada e limpa intimidade imaginava percorrer Cândido, da sua amada Cunegundes. Não fora encontrar, quis o destino, o seu antigo mestre Pangloss também já carcomido por pestilento mal siflítico e este lhe ter revelado que ela fora violada à saciedade por um regimento inteiro e depois esventrada, creria ainda agora no Amor Eterno. Por quem então derramar tanta semente, manchando o catre, em noites insomnes? E ele que em respeitoso pudor lhe poupara a virtude de menina e nem no seio lhe tocou, desfalecia agora ao receber esta funesta notícia de um pestilento vesgo que cuspia o próprios dentes sempre que falava e que fora afinal um digno e douto tutor caído em abjecta desgraça. Sarava Cândido ainda as suas extensas feridas mor de milhares de chibatadas infligidas pelos Búlgaros e que o deixaram sem pele nas costas, de músculos e nervos à vista, já este tremendo desgosto lhe assolava o coração, corroendo-o de noite em reviravoltas, com esta hedionda notícia que lhe dera Pangloss. Porque não tomou ele o regaço e a virtude da menina Cunegundes, atando-a nua a uma árvore de casca áspera e deixando-a esperar o momento em que ele forçaria firmemente as duas entradas do belo corpo, lhe rasgaria com firmeza o tenro hímen e lhe violaria o traseiro? Não antes sem lhe infligir o castigo de muitas chibatadas nas nádegas, fazendo-a gritar e chorar, mesmo antes do sangue aflorar à pele. Passaria depois uma corda, retesada entre as pernas dela e içá-la-ia dolorosamente, atando a ponta a uma pernada da árvore. A mulher amada, forçando as carnes débeis com o seu próprio peso, choraria durante horas. Imaginou as suas prolongadas súplicas de dor e desespero iguais às dele por amar uma morta e saber que ela tinha morrido infamemente depois de possuída muitas vezes pelos animalescos soldados. Até podia deixá-la morrer ali, abandonada à sua sorte esta Justine, aos lobos ou a algum pastor ou caçador que a seviciasse mais ainda e só talvez a soltasse. Desejou que ela acabasse num palheiro húmido nas traseiras duma estalagem, como uma rameira barata, doente, minada pela fome e a podridão venérea. Justo castigo para o culminar de curta vida de contenção virtuosa tem a menina Cunegundes no que ora imagina Cândido, para sua salvação da loucura e no verdadeiro sofrimento que realmente padeceu.

FIM

terça-feira, dezembro 05, 2006

TRISTEZA DE UN DOBLE “A”



Em escuros cafés do Barrio, andava ainda La Cumparsita nos assobios de tristes compadritos de boina ao lado, navalha pronta e polindo esquinas, bebia Júlio Samaniego a sua muita mágoa de amor. Consuelo, a malvada portenha de cabelos pretos, olhos grandes e rosa no cabelo, que lhe dissera “és o meu homem, o meu desvelo, tiras-me a dor do coração” e se lhe entregara ao quebranto tíbio do amor, muitas vezes, naquele quarto discreto da Calle General Rosas. Muitas vezes a levara a dançar as milongas de noites em claro ali perto, no Café Palermo. A desgraça veio depressa, pois acercou-se daquele coração volúvel o charme banal do uruguaio a cheirar a lavanda e seus olhares sorrateiros lançados da mesa do fundo, por entre fumo, sussurrando ao tocador do bandoneon, penteando-se ao espelho no canto, sorrindo e puxando fumaças. Júlio não sabia, mas um dia fora a irmã doente que precisava dela, outra vez uma vaga indisposição e um telefonema breve de desculpas. Mas o pente de tartaruga do uruguaio caído no tapete não lhe deixou dúvidas. Sangue foi o que viu na esquina da Pujol com a Cucha Cucha e o uruguaio a dobrar-se tentando segurar as tripas. Não limpou a faca e correu pelo empedrado enquanto Consuelo, a dobrar a esquina, caia de joelhos num baque surdo cobrindo as lágrimas com o xaile. Ainda lhe apontou a faca à cara e por momentos achou que a devia só marcar. Lembrou-se do cheiro dela e dos lençóis, do olhar e do toque acanhado da maçaneta e ela que vinha no robe de seda e enrolava longamente os seus braços no seu pescoço e lhe mordia os lábios e o bigode. Ao longe, de uma janela ouvia-se o Gardel cantando o “Absurdo”.

“Así, por el recuerdo, lloro
tu casa... mi casa...
Tu amor, que está marchito en un estuche de oro,
tu amor, que al fin - de darse - se quedó sin brasas...”

“Perdoa-me. Eu ainda te amo.” - balbuciou ela.
“Perdoo-te” – disse ele com os dentes ensanguentados e mordendo a língua enquanto ela caia prostrada na calçada com a faca enterrada com força no coração. Ainda teve tempo de, por um momento, olhar para cima, incrédula, com os seus olhos brilhantes de amor.

FIM

segunda-feira, dezembro 04, 2006


DIÁLOGO DE MIRAI MING E DE SUA IRMÃ LILY MING (Adaptação de um texto original da autoria de AdaS, o último dos surrealistas portugueses…)

- “A entrega do material era hoje, mas acho que correu mal. Estou a ouvir tiros.”
- “Deixa lá. Isto é Pequim… Há tiros com frequência. Não te preocupes, Mirai.”
- “ Se calhar é uma rixa por causa das corridas de cães. Aquela porcaria das apostas dá sempre mau resultado. É uma imundície, Lily. Uma imundície. Lembras-te da última vez que entraram aqui com uma arma em punho?... Não fico nada descansada com isto…”
-“Olha, tens razão, tenho mesmo aqui um sinal . Não me lembro nada de o ver antes. Mas deixa lá isso, Mirai.”
-“E tens uma malha nas meias. Tens que ver isso. Uma senhora tem de estar sempre apresentável.”
-“Foram caras Lily. Mas vou já comprar outras, assim que receber a prestação de alimentos do Lee. O sacana atrasa-se sempre. O Ferrari do meu pai avariou, sabes?”
-“ A sério? Tadinho!... Como é que ele vai fazer agora?”
-“Foi numa auto-estrada em Portugal. Pisou um buraco.”
-“Olha, andam uns insectos a passear aí na tua ratola…”
- “Insectos?”
- “Oui.”
-“Achas então que este sinal não é nada de especial? Não é a chave do Euromilhões, pois não?”
- “Tu não és nada drástica…Está descansada que ainda tens muitos e muitos anos para jogar e perder”.
-“Está bem. Então vou-me lavar e depois vou mandar a Maria preparar o almoço”.
“Tá bem, então vá.”.
-“Espera aí, Mirai.”
“ O que é?”
“Acho que tens ali qualquer coisa… Lá mais para dentro. Ora abre lá um bocadinho com os dedos…isso…isso.”
“Que vês tu?”
“Não sei. Vou tentar lá chegar com a língua. É que faz-me impressão… esta pele tão suave… posso aleijar-te com as unhas, sabes….”
“Mas é o quê, Lily? Que sentes tu com a tua língua?...”
“Não é nada. Era só um bocado de algodão. Deve ter sido do pensinho. Fabricam as coisas com cada vez menos qualidade.”
“Ainda bem. Toma, limpa a língua aqui a este lenço de seda brocada.”
“Espera aí, tenho um pêlo na epiglote (cof…cof…).”
“Come um bocado de bolo que isso passa, Lily”
“Obrigado, Mirai”.
“Agora fiquei com comichão no pipi…”
“Espera aí, eu coço aqui com este fruto tropical espinhudo e exótico…”
“AHeeeeee!!!!!...Lily!...”
“Que foi? Estou-te a magoar?”
“Sim. Com o anel Vitafor, enterraste o indicador no meu traseiro sem querer….
“Desculpa santinha….beijinhos, beijinhos no sim-senhor… (chuac…chuac).

FIM



DIÀLOGO DE MIRAI WONG E SUA IRMÃ LILY WONG



- “A entrega do material era hoje, mas acho que deu raia. Estou a ouvir tiros.”
- “Deixa lá. Isto é Saigão…há tiros a toda a hora. Não te preocupes, Mirai.”
- “ Se calhar é uma rixa por causa das lutas de cães. Aquela merda das apostas dá sempre para o torto. É uma porra, Lily. Uma porra. Lembras-te da última vez que entraram aqui com uma AK-47 em punho?...Não fico nada descansada com isto…”
-“Olha, tens razão, tenho mesmo aqui um sinal . Não me lembro nada de o ver antes. Mas deixa lá isso, Mirai.”
-“E tens uma malha nas meias. Tens que ver isso. Um toquezinho de verniz de unhas às vezes resolve a coisa.”
-“Foram caras Lily. Não tenho dinheiro para andar sempre a comprar meias. O búfalo do meu pai morreu, sabes?”
-“ A sério? Coitadinho!...”
-“Foi num campo de arroz. Pisou uma mina.”
-“Olha, andam uns bichos a passear aí na tua passarinha…”
- “Bichos?”
- “Sim.”
-“Achas então que este sinal não é nada de especial? Não é um carcinoma maligno já cheio de metástases, pois não?”
- “Tu não és nada drástica…Está descansada que ainda tens muitos e muitos anos para viver”.
-“Está bem. Então vou-me lavar e depois vou por a massa a cozer”.
“Ok.”.
-“Espera aí, Mirai.”
“ O que é?”
“Acho que tens ali qualquer coisa…lá mais para dentro. Ora abre lá um bocadinho com os dedos…isso…isso.”
“Que vês tu?”
“Não sei. Vou tentar lá chegar com a língua. È que faz-me impressão…esta pele tão suave…posso-te aleijar com as unhas.”
“Mas é o quê, Lily? Que sentes tu com a tua língua?...”
“Não é nada. Era só um coágulo menstrual seco.”
“Ainda bem. Toma, limpa a língua aqui a este lenço de seda brocada.”
“Espera aí, tenho um pelo na garganta (cof…cof…).”
“Come um bocado de pão que isso passa, Lily”
“Obrigado, Mirai”.
“Agora fiquei com comichão na passarinha…”
“Espera aí, eu coço aqui com este ananás comprido…”
“AHeeeeee!!!!!...Lily!...”
“Que foi? Estou-te a magoar?”
“Sim. Com o anel Vitafor, enterraste o indicador no meu rabinho sem querer….
“Desculpa santinha….beijinhos, beijinhos no rabinho (chuac…chuac).

FIM

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