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Vareta Funda

O blog dos orizicultores do Concelho de Manteigas


terça-feira, fevereiro 01, 2005

BOOMERANG


É com algum interesse e gozo que tenho assistido ultimamente a mais um episódio da nossa Pré-Campanha Eleitoral, para eleição do novo Governo para o país, que nas mãos dos vários candidatos que se nos apresentam, cada vez mais é sinónimo de jacota por parte dos próprios eleitores.

Quando eu previa ( desejava será o termo certo ), que o debate começasse finalmente a se elevar, e que as várias questões que interessam ao país, se começassem finalmente a debater, como:

- a falta de emprego - ou a revelação da poção mágica da criação de novos postos de trabalhos;
- a diminuição dos impostos - ou como é que o Estado consegue suportar as suas despesas sem o seu aumento;
- se vamos combater ou não os 3% do défice - ou se, tal como alguns países que agora se riem de nós, "cagamos" para os números;
- se os salários vão ser aumentados - ou continuar na "seca" generalizada que sem tem abatido sobre o país...

e sobretudo:

- porque é que vale a pena sair de casa no dia 20 de Fevereiro, com um frio destes, e votar em algum destes personagens, para, em troco de palavras e promessas, mais uma vez nos demonstrarem que o nosso voto não serviu para nada?

Bem...se algum deles me responder com factos, e sem aquelas conversas do "Nós isto", "nós aquilo", talvez...digo, talvez votarei!

Mas...o surreal de todo este debate, ou do não debate,( nem sei se eles "querem, sabem ou pretendem" debater - este tipo de construção frásica dos 3 verbos seguidos, é politizada, como é óbvio ), surgiu agora com a questão que realmente faltava responder, e que todos os portugueses sedentos de curiosidade, tal como de moedas para os seus bolsos, estavam há muito para ver elucidada:

(Antes de revelar a questão, gostaria só de dizer, que ela partiu da ala direita do PP pseudo-aliada com o PSD ( poderá parecer de menor importância isto, mas não o é ).)

Concordam ou não com o casamento homossexual em Portugal? E mais...se ele poderá vir a ser aplicado no nosso país?

Meus amigos...finalmente estes senhores lembraram-se de finalmente me elucidar. Troco a resposta a esta questão por todas as outras. Estou-me "a foder" - o termo agora é mesmo este - se ganho mais ou menos, se o meu irmão daqui a uns anos consegue emprego, se 20% de desconto em IRS já é suficiente ou não é demais, ou se teremos que reter as reformas de vez da segurança social em "prol" de um número...
Estou-me a foder para isso tudo...o que eu quero MESMO é saber, é se os homossexuais podem casar no nosso país!

Num tom sério, e tentando dar credibilidade à coisa, Santana Lopes, num discurso numa cidade do interior ( curiosa a forma como Santana Lopes, aparece "cuidadosamente" mal vestido quando se desloca ao interior ), lança a questão e reafirma que o seu partido ( ou ele ) é contra, e que gostaria de ver esclarecida a opinião por parte do engenheiro Sócrates.
Paulo Portas, naquele seu tom nacionalista, já tinha antes dito, com o seu novo sorriso que era contra...nem que precisássemos de ouvir, já saberíamos de antemão.

Ora...o que aqui está implícito, ou então sou eu que vejo muito à frente, não é a opinião em si de cada um, mas sim o lançamento do tapete para os debates a dois que se aí avizinham. Mas o que vos parece um certo tipo de tapete, ou seja, uma questão menor, parece-me a mim, a tentativa de se lançar um boato, semelhante aquele que padece o próprio carácter sexual do Paulo Portas. Já ouvi muito burburinho semelhante em relação ao Engenheiro Sócrates...mas é assim, que ditas muitas vezes a palavra - homossexualidade, se começam a construir algumas (in)verdades.

Parece-me nojento, em prol de uma minoria, que essa sim se deveria manifestar, e dar também a sua opinião, que se tente desviar a atenção dos portugueses, para infâmias do tipo revista cor-de-rosa, que não interessam à qualidade a que deveríamos assistir do próprio debate político. E mais...parece-me uma arma de arremesso, que poderá em vez de liquidar o adversário, tornar-se de efeito "boomerang".

P.s. - Em relação à questão em si, digo o meu habitual: Porque não?

Arrotos do Porco:

É bem visto, todas elas são questões pertinentes. Mas, antes de me preocupar com qualquer uma delas, o que verdadeiramente me preocupa é a (falta de) consciência política dos portugueses, e o perigo que representa para um país esse tipo de voto. Para 60% dos tugas, ir votar é igual a ir ao cinema com os amigos - vão com a maré, ou então a opção cai no actor mais engraçado (não necessariamente o melhor...)


É sempre importante ir votar. Não há nenhuma razão para não participarmos na escolha. E concordo contigo quando chamas nojentas às manobras de diversão, às tentativas de desviarem o alvo.

Bom post, Mimo.



Infelizmente, creio que a abstenção vai ser grande. Quanto à questão da homossexulidade parece-me que vai continuar a ser tratada de forma ridícula e pouco séria como tem sido até hoje, assim como outros assuntos chamados polémicos.

Excelente poste.



ahahahahahahah!! Os gays casarem? ahahahahahha
Era só o que faltava andar a alimentar caprichos. E adoptarem crianças? ahahahahhaahah.
Mss gostei da parte séria do post, sim senhor.



fpm, já pensaste, por um momento que fosse, que os homossexuais, são seres humanos, com sentimentos, tal como os heterossexuais. E que se os atrasados mentais, os estúpidos, as pessoas com mau carácter, etc, se casam, não há nenhuma razão para seres com uma opção sexual diferente da tua se casem?


fpm: e os hinos da mocidade portuguesas, ainda sabes todos? o direito á diferença existe, e é abrangido pela constituição.


Nuíta: já pensei e continuo na mesma. Quer dizer, até consentiria que se casassem (créditos para casa e demais questões legais, etc...) mas adoptar crianças nunca na vida! É um capricho e uma criança não pode ser objecto dos caprichos dos gays.

Minniezinha: Deves estar-me a confundir com alguém, de certeza!



Quem começou com o debate sobre o casamento dos homossexuais não foi a "esquerda moderninha", Vareta. Foi a direita, e foi para mandar areia para os olhos das pessoas, tal como o Mimo diz no post.


É preferível serem educados em instituições sem referências, nem carinho e à disposição dos tarados e das pessoas de mau carácter!!


Eiiii, que desenho catastrófico... A lista de casais Hetero para adoptar é extensa... O problema é a burocratização praticada.


É onde as crianças continuam, nas instituições. Então porque não se preocupam com a burocracia em vez de andarem a deitar areia para os olhos das pessoas?


Para contextualizar o comentário da Nuíta sobre a minha referência à "esquerda moderninha", aqui fica na íntegra:

"Os direitos consagrados na lei valem o que valem: o que tanto pode ser muito como muito pouco. Não me venham com histórias de que Portugal poderá ser visto como país retrógrado se não adoptar legislação "inclusiva e respeitadora das diferenças". A grande diferença entre Portugal e os países ditos "liberais" nestas questões é que nesses países vigora o culto de não proibir, o que é algo muito diferente de "aceitar" ou de "integrar" - se bem que estes dois conceitos sejam discutíveis quanto à sua necessidade ou pertinência.
O desassombro da fanchonice no Reino Unido, por exemplo, não tem tradução legal. Os holandeses permitem tudo e mais alguma coisa mas acham que "isso é para os outros, que graças a Deus, o meu filho é direitinho e protestante e bebe leite (o normal, das vaquinhas) ao almoço!".
O debate sobre esta questão parecer-me-á espúrio até que ele seja iniciado por uma "vaga de fundo" com alguma expressão numérica de homossexuais que se desejem casar e se achem lesados por tal não lhes ser permitido. É tanto mais espúrio quanto iniciado pela esquerda moderninha que quer parecer desempoeirada e não se lembra de nada mais útil ou, um nadinha mais grave ainda, quando é iniciado pela negativa por uma pseudo-direita que se agarra a valores bolorentos como bóia para fugir a um naufrágio eleitoral.
Seria muito mais pedagógico ter um candidato a Primeiro-Ministro a dizer "Gosto de levar no cu; e depois?!" do que alterar a legislação porque se proíbe qualquer coisa que ainda não se sabe se alguém quer fazer ou não. No momento de "evolução social" em que Portugal se encontra, parece-me que permitir o casamento de homossexuais seria "tolerar o desvio" - implicando que se continuasse a olhar a opção como desvio. Seria útil? Não creio. Seria útil fazer disto tema de campanha eleitoral? Tão útil como uma camada de chatos.

Por essas e por outras é que ando à procura do programa eleitoral do Movimento pelo Doente."

Não pretendi atribuir o "pecado original" do lançamento do debate a nenhum dos quadrantes, apenas referi que me contraria que qualquer dos quadrantes o lance apenas porque sim. Ou, pior, porque não.



Eu tinha o teu comentário presente quando comentei em resposta, Vareta. O que eu quis dizer foi que a esquerda, moderna ou antiga, não tem como prioridade tratar esse assunto. Esse assunto veio à baila agora para desviar a atenção dos problemas mais importantes e que a direita e o centro querem evitar porque têm culpas no estado em que as coisas estão. Preferem andar a discutir estas coisas polémicas do que as que não lhes trazem votos porque ninguém acredita neles e, apesar de tudo, os portugueses têm boa memória.


Estamos então plenamente de acordo, estounuíta. Como é hábito. :)




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