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Vareta Funda

O blog dos orizicultores do Concelho de Manteigas


quarta-feira, dezembro 22, 2004

PERCURSO


Nesta época, quando as pessoas andam de um lado para o outro, atarefadas em deixar o trabalho concluído para ir passar umas férias, comprarem as últimas prendas, ou acabarem os últimos preparativos para a ceia de Natal, eu costumo fazer ( depois de concluídas todas as outras ) uma espécie de balanço daquilo que fiz, e daquilo que deveria ter feito "porque queria fazer mas nem sabia".

No fundo, esta altura abre-me o espírito. Deixo-me de todas aqueles rotineiros pensamentos de "liga e desliga o despertador", vou e venho de trabalhar, almoço, janto, etc, para me debruçar verdadeiramente sobre aquilo que, por vários motivos - incluindo "o" de não pensar nisso -, não fiz e estava mesmo ali à mão. Tento fazer, pensar e sentir de forma diferente.

Durante este ano, constato que gostaria de ter estado muito mais com os meus amigos. Em vez de estar tanto tempo com aquele projecto de execução, preferia ter estado a beber uns finos e comer uns tremoços numa boa esplanada lá para o meio da tarde, com um grupo deles, depois de um bom almoço sem conttrole de custos e tempo, num local onde iria ver outras pessoas, com as quais habitualmente não me cruzo.

Gostava, em vez de ter perdido tanto tempo em "engarrafamentos", de poder juntar todos esses minutos e convertê-los em viagens a Lisboa, visitar outros meus amigos, e fazermos mais uns jantares simpáticos, ou visitar com eles, alguma exposição magnífica de fotografia no CCB, das quais, por inequívoca falta de tempo, não tenho acesso. Depois do jantar, e com os últimos segundos acumulados, podíamos ir ver um concerto qualquer de grupos que nem sei o nome, mas gostaria de ter ouvido mais.

Dessa forma, poderia dar a contrapartida física que eles merecem...estar com eles, porque eles são meus amigos, e porque a amizade vive também de trocarmos impressões, conversas, gestos e sorrisos...sem ter que optarmos por telefonemas para números memorizados num qualquer telemóvel de última geração, sempre com uma pressa ridícula, por "estarmos a gastar muito". Detesto converter amigos em minutos...mas é o que penso que fiz agora.
Aliás, essas mesmas conversas despropositadas por telefone, e o dinheiro que gasto em mensagens para dizer que "estou a chegar", retira-me também a "fatia" económica que me permitia telefonar de facto para aqueles que se encontram longe: aos meus amigos no Brasil, Cabo-Verde, Inglaterra, Holanda...aos quais devo imensos abraços, beijos e saudades. Muitas saudades.

Sem falar na minha família. Devo horas infinitas a todos. Gostava, em vez de ter dormido várias vezes ao final da tarde, de ter tido a mais almoços e jantares de Natal com eles. Aliás, o Natal é sempre um motivo de força maior para estarmos todos juntos. Gosto que me seja dada essa impossibilidade de não faltar...quer tenha muito trabalho, ou esteja longe, ou tenha outras coisas para fazer...

Já nem penso nas viagens que gostava de ter feito com o meu outro eu. Tantas oportunidades que tive em sair daqui para ir para ali, mas não fui, ou porque não podia por isto ou por aquilo...Agora que penso, poderia ter contornado isto e aquilo facilmente, porque hoje não iria pensar que o poderia ter feito.

Lembro-me também que quando era novo,era muito mais feliz nestas alturas. Não só porque não pensava sequer nisto, como também não tinha acumulado horas de dívida absurdas com as quais gostaria de ter dispendido com todos aqueles a quem desejo hoje ( e com quem não vou poder estar até ao final do ano ) aquilo que desejo também para mim:

Que para o ano, e depois deste período em que devemos dar prioridade aos "nossos", possamos encher o "bandulho" com todas estas horas que vos devo da mais pura amizade e convívio.

BOM NATAL

Arrotos do Porco:

BOM NATAL, Miminho.
Também acho que andamos todos endividados de tempo. Por mim, acho que nunca vou conseguir saldar as dívidas que tenho ao longo da minha vida. Principalmente comigo mesma.



Sou da opinião que não devemos estar sempre a pensar no que se poderia ter feito; o que poderia ter acontecido se se tivesse escolhido outros caminhos. A verdade, também, é que após um ano, um longo ano, deveremos reflectir nas coisas que se sucederam, de modo a que o novo ano seja de facto melhor.
Costumo dizer que um dia deveria ter 48 horas, não para trabalharmos mais, mas sim, para fazermos tudo aquilo que desejaríamos; para estarmos com aqueles que realmente gostamos... mas, apesar de realmente a falta de tempo ser o motivo para não realizarmos tudo aquilo que gostaríamos, há também uma grande falta de vontade, por vezes a chamada “preguiça” é bem maior. E, com tudo isto, o tempo vai passando e, lamentavelmente, vamos perdendo o contacto daqueles que nos são importantes. Por estupidez, é certo. E, quando olhamos para trás, só aí nos apercebemos quantas coisas perdemos, desperdiçamos , e os quantos laços de amizade foram quebrados.


(....)


Feliz Natal!!! =)





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