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Vareta Funda

O blog dos orizicultores do Concelho de Manteigas


sexta-feira, dezembro 10, 2004

COMPRAR SORRISOS



Temos de olhar o Natal sob várias perspectivas! O Natal, por mais que falemos do presépio, da vaquinha, da gruta, etc...não pode ser destituído das prendas e do Pai Natal - essa figura do capitalismo, que foi criada para que todos pudéssemos substituir o enfadado "décimo terceiro mês", pela bela e original expressão - "subsídio de natal". Recebemos mais um mês, sem ter que trabalhar - nem é o meu caso, que nem o recebo..mas enfim - , para que possamos passar os fins-de-semana, e os feriados antes de 25 de Dezembro, encafuados em Mega-centros-comerciais ou nos centros históricos, a procurar a última prenda para o primo em 3º grau que teve a ousadia de nos oferecer uma caixa de bombons no Natal passado...
No fundo, o Natal é como os casamentos! Nós oferecemos prendas a quem nos oferece ( sem contar com aqueles que ainda são muito novos, e que não o podem fazer ), a partir do momento em que alcançamos um patamar de idade, que faz com que tenhamos de trabalhar, e ter direito ao 13º mês...e assim, não ter o pretexto para não retribuir a generosidade que outros tiveram!
Os casamentos é a mesma coisa...um casal convidou-nos para o casamento, enquanto ainda namorávamos...e agora que chega a nossa vez, vemo-nos na contigência de ter que retribuir na mesma moeda ( mesmo que hoje, ao contrário do Natal, isso até seja algo que nem é apetecível...).

Mas, o que quero dizer é que o Natal tem duas fases! Aquela em só recebemos, e a outra em que nos vemos na contigência - ou prazer...como queiram - de ter que oferecer! E receber também...

No entanto, chegamos a uma fase - aquela que atravesso agora - em que é mais importante e prazeroso, assistir ao sorriso de uma criança de 3 anos, pela prenda que oferecemos, do que propriamente recebermos mais um par de meias, ou mais uma garrafa de whisky, ou mais uns boxers...nem que para isso, tenha de andar de loja em loja a procurar o tal action-man que o mais pequeno nos pediu!

Nunca se esqueçam que já fomos todos pequenos, e que naquela fase, pouco queríamos saber do trabalho que dá estar enfiado nessas lojas dias a fim, à procura DO presente...
Tudo é pouco apesar de tudo! Mesmo, se as crianças hoje em dia, estiverem fortemente estigmatizadas pela forte campanha publicitária que o nosso capitalismo lhes impõe, nada é maior do que concretizar o secreto desejo de trazer a felicidade aos outros!

E foi nesse mesmo centro comercial que assisti há uns dias atrás, de uma das maiores provas dessa mesma forma de trazer felicidade aos outros, mesmo que encaputada:

- Um pai, que tinha ido comprar as cebolas e as batatas numa dessas superfícies apinhada de ávidos consumidores natalícios ( com dois sacos de comida na mão ), trazia na outra mão o filho, que vinha com uma luzidia pista de automóveis ...maior que ele próprio! "Isso é que a criança irradiava felicidade!"
Para meu espanto...eles param, num daqueles locais com campanhas para se oferecerem brinquedos para crianças abandonadas...e, com um sorriso, deixa e oferece-lhes aquela mesma pista!

Se todos temos ou não, a mesma consciência sobre o que é o Natal, não nos podemos dissociar da forma como cada um é educado relativamente à forma de sentir esta época! Se conseguirmos converter esta época, mesmo que abrangidos por essa terrivel aura capitalista, em dias melhores para muitas crianças ( as nossas..e as outras ), não vejo que daí venha algum mal ao mundo...mesmo que para isso, tenhamos de "comprar" sorrisos! Comprar com todas as letras...e essa é a eterna verdade sobre o Natal...quer queiramos...quer não!

Arrotos do Porco:

Não, não me esqueci do meu sorriso ao receber as prendinhas, e revejo-o em cada sobrinho(que os filhos já são crecidotes) hoje em dia.
Ainda me lembro do sentimento de fraude e tristeza que senti ao saber que o Pai Natal não existia.
Porém, o comércio natalício mexe comigo.





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