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Vareta Funda

O blog dos orizicultores do Concelho de Manteigas


sexta-feira, julho 09, 2004

A PRÓXIMA CANÇÃO É...


Apetece-me dizer mesmo, que se tivesse morrido ontem, enquanto vivia aquele concerto, iria com um sorriso...

TEATRO ACADÉMICO GIL VICENTE - COIMBRA - 8 de julho...22.00

Entram num palco escuro seis elementos...
Soltam-se umas palmas comprimidas...tal como eu, senti que ninguém sabia bem ao que íamos!
Conheço e amo o aclamado álbum "La Llorona", mas o mais recente "Living Road" ainda só por duas vezes correu no leitor de CD´s...

Começa o concerto!
Fico agarrado à cadeira, de tal forma, que sentia que as pessoas do lado, conseguiam sentir os arrepios que me iam na alma, e que me percorriam o corpo das unhas do dedo grande do pé, até à ponta do meu maior cabelo...
Assim estive para aí até à terceira música, altura em que agradeci a um Deus qualquer, o facto de me ter dado a oportunidade de viver aquele momento...

Um concerto de Lhasa, é de facto percorrer um pouco da sua vida! Filha de mãe fotógrafa, e de um pai sem trabalho fixo, ela percorre com mais três irmãs quase todo os Estados Unidos dentro de uma carrinha, ouvindo música cigana, japonesa, mexicana, etc - influências da sua mãe.
Trabalhou em circos, cantou em bares, não fez nada, passeou...passeou muito!

A uma certa altura deu-se conta da sua voz! Uma voz rouca...faz-me lembrar um café quase a escaldar, onde assenta uma quantidade grande de açucar que se mantém em cima do creme por uns segundos! Imaginem essa sensação durante um concerto inteiro...a voz dela é assim!

Acompanhada por 5 músicos verdadeiramente brilhantes que tocavam desde Violoncelo, Contra-baixo, Bateria, Piano, Guitarras, Violas, Percussões, Harmónicas, Palmas ( sim...aquele barulho simples de juntar as mãos )...tocaram duas horas de canções! Digo expressamente canções, porque elas retinham de facto uma história...História essa, que ela fazia questão de contar em PORTUGUÊS!Cantou um fado...ah FADISTA! Mas um fado mesmo...triste, sentido, sem aqueles clichés a que estamos habituados!
Sim...não se limitou a dizer Boa Noite e Obrigado!
Esta mulher, com uma cábula, leu com uma ternura inexplicável, um caderno composto por 6 folhas de papel reciclado, onde contou as histórias do bisavô, do pai, da mãe e das irmãs! No fundo, ela falou dela, e da família...Cantou uma música tchechena, outras francesas, espanholas...
E foi assim que me senti...em família!
Com aquele calor e aconchego que nos faz sentir em casa!

Aquela foi a minha casa durante duas horas!
...se quero ouvir outras canções?
Não sei...ainda trago aquele sorriso!


Arrotos do Porco:


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