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Vareta Funda

O blog dos orizicultores do Concelho de Manteigas


quinta-feira, maio 06, 2004

Porque será que a distância nunca acalma o espírito? Já fugi, já me escondi atrás do espelho, já tentei de tudo mas olho para vocês como se ainda aí estivesse. Devo confessar que nunca foi fácil viver numa família disfuncional e ter amigos que nunca jogaram com o baralho todo. Tentei, vezes sem conta, dizer-lhes que a minha sanidade mental me fazia imensa falta, mas eles ouviram-me, não! À primeira oportunidade fizeram de mim passador de leite!

O meu marido (que Deus o conserve durante muitos e bons anos, que quando ele cá chegar logo lhe digo com quantos ovos se faz uma omelete!), não contente em encornar-me violentamente com o meu melhor amigo, mata-me! O meu filho acha engraçado ir para a cama com a minha afilhada na noite do meu funeral. A menina bastou acordar para se arrepender no mesmo segundo do que acabara de fazer, e eu, aqui, a ter que assistir a tudo com vista de camarote!

Pois agora é a minha vez de lhes fazer a vida negra. Por cada acto sabujo que fizerem eu conto um pormenor escabroso das suas miseráveis vidinhas. Sim, porque o meu marido lá ter coragem para tirar a folga ao gatilho teve, mas assumir que se virou para o Pedro porque, todas as mulheres que teve, o empalitaram violentamente aí mais devagar...

Pois é, a cabeça do menino havia dias que mais parecia um jardim num dia de primavera. A primeira mulher fugiu com o contabilista da empresa dele. O coitado bem que deu voltas à cabeça para arranjar uma desculpa plausível em que todos acreditassem e ele saisse com a honra mais ou menos limpa. Resolveu inventar que o contabilista tinha a mãe às portas da morte na terra e que teve que voltar para trás do sol posto para lhe fazer companhia. Quanto à senhora sua esponja arranjou uma desculpa esfarrapada, que a relação já dera o que tinha a dar, que haviam crescido, que as suas vidas tinham seguido rumos diferentes, mas, que não havia mais ninguém nas suas vidas.

Poder-se-ía dizer que a explicação era mais ou menos plausível, nunca ninguém os tinha visto juntos, por isso uma suspeição de relação amorosa entre os dois não seria evidente, e o facto de eles terem ido viver para Moscovo tornava implausível alguém torná-los a ver.

Pegou ele no seu farnel e mudou-se para uma casa mais pequena, porque a outra sem mulher era muito grande (isso e não ter ninguém que a limpasse), porque já estava cansado de viver no meu mesmo bairro, que queria um jardinzinho para tratar, enfim, mil e uma desculpas para não ter que dormir na mesma cama onde a outra estivera enrolada com o amante.

Tudo teria terminado em beleza se dois anos mais tarde eles não tivessem voltado a Portugal para mostrar o lindo rebento que ela acabara de conceber...

Arrotos do Porco:


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