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Vareta Funda

O blog dos orizicultores do Concelho de Manteigas


terça-feira, abril 20, 2004

O fumo

Que se enrola no ar e me devolve a esperança. O olhar vazio que se prolonga. Os anos e os mares que me separam. A ausência de silêncio, a existência de um futuro, o vazio de um passado que não houve. Recosto-me na cadeira, bailo o cigarro frente aos olhos e espero pelo copo que se atrasa.

Minto! Para fugir daqui, para fingir que não existo. Marco o tempo e passo a vida, espreito a janelo e vejo o sol que se põe. Fujo da vida que me cobre, da ausência que me despe. Sinto o ar que vagueia perdido entre o nada e o tudo. Toco o mar que me repele e sinto a lua que me cobre. Os dedos soltos, o fumo livre, as mãos quentes que me escaldam.

Agarrei-te pela mão e trouxe-te comigo, vi o teu sorriso e senti o meu mundo. Corri e subi a encosta, toquei o sol e cheirei-te o cabelo, vi o sorriso dos teus lábios na água refletido. Apertei-te a mão com força só para te sentir um pouco mais perto de mim. Peguei-te ao colo e embalei-te ao som dos meus beijos. Levantei os olhos para te ouvir sorrir, calei os dedos para não te tocar. Queria ficar para sempre aqui em cima, contigo ao colo, sem sentir o mundo que nos olha, sem ver o mal que se despe.

Levei-te daqui para longe, para ali ao lado, para lado nenhum, para o mar que me espanta, para a vida que me afoga. Ter-te nos braços e afagar-te a cara, sentir-te a pele a escorrer pela minha mão. Lembrar-me de ti bebé, lembrar-me do sorriso e do choro de criança.

Fecho os olhos com força, apago as imagens que me assaltam. Prefiro esquecer, não quero seres vazios que me corrompam, não quero almas gélidas que me toquem. Procuro o esquecimento, encontro o vazio, almas apagadas que sobem e se escondem. Seres repletos que se afogam. A verdade que queima os lábios, a mentira que afoga a vontade. arrastar os dedos pela mesa e focar o cigarro como se o fumo me separasse da vida. Imagens corridas ao som das luzes. Movimentos perdidos na lentidão da espuma.


Arrotos do Porco:


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