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Vareta Funda

O blog dos orizicultores do Concelho de Manteigas


domingo, março 14, 2004

Queria

Apeteceu-me parar um pouco e ver a chuva cair. Queria sentir o frio e a água a escorrer-me pelo corpo, queria ter a alma posta num canto, confortavelmente guardada, para não sentir a dor do desespero. Pensei em tudo e em nada. Sentei-me junto de ti, lembrei-me de te ter, esqueci-me de não te querer.

Respirei fundo, levantei-me do chão e fui para a janela, espreitei a água e vi o verde que se espraia. Olhei os dedos e as mãos. Vi o sal que me afoga as lágrimas. Sorri para ti, por ti, por te ter junto a mim, por saber o teu corpo, por saber que tenho a tua mão. Desenhei-te na areia e deixei as ondas levarem-te. Queria eu, também, ir com as ondas para ficar contigo, fechado, no vazio imenso do oceano.

Fechar a alma e o corpo, trocar os sons por tudo o que possa tocar. Queria estar só, embalado na recordação do teu corpo, queria tocar-te para te sentir junto de mim.

Fechei os olhos e vi-te nua, percorri os meus dedos pela tua pele, senti o teu corpo junto do meu. Cheirei-te, beijei-te, passei a mão pelo teu cabelo, senti o teu sorriso com a ponta dos meus dedos, perdi o meu corpo no teu e afoguei-me no teu riso. Encostei-me em ti, larguei-me em ti e escorri-me por ti. Queria ter-te, agora, aqui, comigo, junto de mim. Queria ver o teu sorriso, queria ver a tua pele. Sentir-me em casa junto do teu corpo, tocar-te como sempre o fiz.

Dois corpos presos na areia, duas vagas que limpam a alma. Sentir o vazio e esperar por ti. Fechar os olhos e entrar por ti, sem pedir licensa nem limpar os pés. Queria estar longe de ti, só para ter saudades, só para sofrer pela tua ausência. Queria milhas e mares de separação queria sofrer por não te ter. Queria fechar os olhos e imaginar-te aqui, sem o estares, sem ter que te ter. Sem ter que me ouvir.

Arrotos do Porco:


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