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Vareta Funda

O blog dos orizicultores do Concelho de Manteigas


quarta-feira, março 31, 2004

Foda-se! O que eu detesto funerais e enterros e idas ao cemitério. Estamos todos aqui, à volta de uma caixa, cada um a tentar fazer uma cara mais triste que a do vizinho e sem saber o que vamos comer a seguir. Não fora as mamas da Carla, aqui mesmo à minha frente, e acho que já tinha desmaiado com o cheiro a putrefação.

Lembrei-me de quando eramos crianças e corríamos à volta do quintal, de quando nos despíamos e tomávamos banho de mangeira, de como nos embrulhávamos (com a inocência que só a infância permite) e rebolávamos na lama. Brincávamos, corriamos, faziamos todos os disparates que o tempo (e os nossos pais) nos permitiam. Com o passar dos anos fomo-nos afastando, embora a amizade nunca tivesse desaparecido.

Quando a última pessoa passou os portões do cemitério peguei na mão dela e levei-a para o café mais próximo. Falámos de tudo e de nada, lembrámos os anos passados e as tristezas sofridas. Rimos com as nossas desventuras e afogámos as mágoas em todo o alcóol que conseguimos tragar. Saímos já com o sol escondido, no meio de um estupor etílico que mal nos deixava adivinhar os passos.

Deitei-a na cama, arranjei-lhe o cabelo e fiz-lhe uma festa no rosto. Desde os tempos em que chapinháramos na água que nunca mais a tivera assim tão perto de mim. Sexo entre nós nunca tinha sido hipótese contemplada. Peguei-lhe na mão e percorri-lhe o corpo, sentindo cada curva, cada ondulação do corpo através dos seus dedos. Mesmo agora, bebados e abandonados, depois de ter posto a senhora minha mãe na última morada que ela iria conhecer, mesmo agora, tinha relutância em tocá-la directamente. Foi preciso ela tirar-me as calças e masturbar-me lentamente com a mão que ainda tinha livre para eu ganhar coragem e beijar sofregamente as mamas que havia horas desejava sentir contra os meus lábios.

Tinha piada imaginar a cara da minha mãe se ela estivesse, junto do Altíssimo, a ver-nos neste momento. Eu, o filho querido, e ela, a filha do Pedro, do seu melhor amigo, de quem a amparara nos bons e nos maus momentos. Havia de ser giro.

Escusado será dizer que só fui assaltado por estes maravilhosos pensamentos no dia seguinte. Ainda tentei racionalizar o que se tinha passado, preferi levantar-me lentamente para não a acordar e preparar o melhor pequeno-almoço que a ressaca me permitia.

Voltei cinco minutos depois com dois guronsans e uma garrafa de água.

Arrotos do Porco:


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