| quarta-feira, fevereiro 11, 2004 |
SER NINGUÉM
Ando de facto, meio alucinado com esta história de os governos, de vez em quando, se lembrarem de votarem ( por mim ) situações demasiado importantes, para a capacidade mental e social que algumas cabeças só por si podem suportar.
Uma recente ( que felizmente o nosso Governo ainda não se lembrou ) foi a votação do Parlamento Francês, sobre a proibição de se usarem símbolos religiosos nas escolas públicas francesas. Ora, não querendo meter a foice em seara alheia, não me posso deixar de me indignar...”MAS O QUE É ESTA MERDA?”
Fui há uns anos atrás a Paris...guardo na memória a emoção da subida à Torre Eiffel, a visita aos Campos Elísios ( traduzindo!), algumas obras do Corbusier e...sobretudo lembro-me da pluralidade de culturas que pontificam o quotidiano da vida parisiense. Numa célebre ida ao metro, assisti à maior concentração de raças, tradições e culturas de que me lembro ver por metro quadrado. Recordo com agrado, que a violência do metro parisiense, é inexistente comparada com algumas linhas de Sintra que temos por cá...nem, mesmo o facto das pessoas andarem encostadas às paredes dos túneis ( com receio de serem empurradas, tal é a multidão! ) me intimidou.
Puxando da minha memória algumas palavras francesas, que me recordo ver escritas no metro, lembro-me logo destas:
“Egalité” “Liberté” e “Fraternité”
São os princípios, ou antes...eram o princípios básicos vigentes na sociedade francesa há uns bons anos atrás. Colocados agora de lado, porque se lembraram disto...
A cobardia de uma atitude mais franca e prepotente por parte do Governo Francês ( que poderia criar nalguns – muitos – grupos da sociedade francesa, analogias com o espírito de Le Pen ) que se assume numa proibição de crianças usarem por exemplo o véu ( na religião muçulmana ), só pode trazer subjacente um desencorajamento à entrada deste povo neste país, ou mesmo, como fim último, à saída dos que ali já se encontram...e que são franceses ( apesar de regerem as suas vidas sobre os princípios muçulmanos! ).
Sabem perfeitamente que os muçulmanos ( e falo destes como exemplo ), não possuem dinheiro para pagar uma escola privada...sabem perfeitamente que não vão deixar de fazer as suas orações, nem deixar de usar véu ( apesar das limitações )...sabem perfeitamente que, ou reagem de uma forma extremista ( perdendo assim a razão que de facto possuem ) ou embarcam para outros destinos.
O mais deprimente disto tudo, é não terem tido a coragem de proibirem a entrada de muçulmanos e outras raças no próprio país, e de expulsarem as que não se enquadram no “perfil” adoptado como modelo da sociedade francesa. Questiono só o que acontecerá ao Zidane, se por exemplo ao marcar um golo pela selecção francesa, mostrar uma camisola com qualquer escrito muçulmano ( sim...ele era Argelino antes de ser um ícon da França )?
Mostro aqui, esta conhecida foto tirada há uns anos por Steve McCurry...
...como experiência decidi alterá-la, e inserir-lhe os modelos que o Governo pretende adoptar.
Como hipótese deixo aqui, em vez dos trajes e das vestes muçulmanas que se pretendem proibir, um desenho de algumas camisolas que o Governo aceitará de bom grado, e que não são proibídas nas escolas públicas francesas..porque de facto, não têm menções religiosas.
Por fim, fiquei boquiaberto com o comentário de uma cidadã francesa, entrevistada na rua, que proferiu algo como isto:
- E se nós fôssemos aos países deles...poderíamos usar uma mini-saia?
Concluo que não estranho ( como já ouvi referenciar ) a subida percentual nas próximas legislativas do partido de Le Pen...com analogias assim, e com um aparente carácter de “É óbvio que não!” a uma pergunta destas...só poderei mesmo achar que as mini-saias é que estão na moda!
Ando de facto, meio alucinado com esta história de os governos, de vez em quando, se lembrarem de votarem ( por mim ) situações demasiado importantes, para a capacidade mental e social que algumas cabeças só por si podem suportar.
Uma recente ( que felizmente o nosso Governo ainda não se lembrou ) foi a votação do Parlamento Francês, sobre a proibição de se usarem símbolos religiosos nas escolas públicas francesas. Ora, não querendo meter a foice em seara alheia, não me posso deixar de me indignar...”MAS O QUE É ESTA MERDA?”
Fui há uns anos atrás a Paris...guardo na memória a emoção da subida à Torre Eiffel, a visita aos Campos Elísios ( traduzindo!), algumas obras do Corbusier e...sobretudo lembro-me da pluralidade de culturas que pontificam o quotidiano da vida parisiense. Numa célebre ida ao metro, assisti à maior concentração de raças, tradições e culturas de que me lembro ver por metro quadrado. Recordo com agrado, que a violência do metro parisiense, é inexistente comparada com algumas linhas de Sintra que temos por cá...nem, mesmo o facto das pessoas andarem encostadas às paredes dos túneis ( com receio de serem empurradas, tal é a multidão! ) me intimidou.
Puxando da minha memória algumas palavras francesas, que me recordo ver escritas no metro, lembro-me logo destas:
“Egalité” “Liberté” e “Fraternité”
São os princípios, ou antes...eram o princípios básicos vigentes na sociedade francesa há uns bons anos atrás. Colocados agora de lado, porque se lembraram disto...
A cobardia de uma atitude mais franca e prepotente por parte do Governo Francês ( que poderia criar nalguns – muitos – grupos da sociedade francesa, analogias com o espírito de Le Pen ) que se assume numa proibição de crianças usarem por exemplo o véu ( na religião muçulmana ), só pode trazer subjacente um desencorajamento à entrada deste povo neste país, ou mesmo, como fim último, à saída dos que ali já se encontram...e que são franceses ( apesar de regerem as suas vidas sobre os princípios muçulmanos! ).
Sabem perfeitamente que os muçulmanos ( e falo destes como exemplo ), não possuem dinheiro para pagar uma escola privada...sabem perfeitamente que não vão deixar de fazer as suas orações, nem deixar de usar véu ( apesar das limitações )...sabem perfeitamente que, ou reagem de uma forma extremista ( perdendo assim a razão que de facto possuem ) ou embarcam para outros destinos.
O mais deprimente disto tudo, é não terem tido a coragem de proibirem a entrada de muçulmanos e outras raças no próprio país, e de expulsarem as que não se enquadram no “perfil” adoptado como modelo da sociedade francesa. Questiono só o que acontecerá ao Zidane, se por exemplo ao marcar um golo pela selecção francesa, mostrar uma camisola com qualquer escrito muçulmano ( sim...ele era Argelino antes de ser um ícon da França )?
Mostro aqui, esta conhecida foto tirada há uns anos por Steve McCurry...
...como experiência decidi alterá-la, e inserir-lhe os modelos que o Governo pretende adoptar.
Como hipótese deixo aqui, em vez dos trajes e das vestes muçulmanas que se pretendem proibir, um desenho de algumas camisolas que o Governo aceitará de bom grado, e que não são proibídas nas escolas públicas francesas..porque de facto, não têm menções religiosas.
Por fim, fiquei boquiaberto com o comentário de uma cidadã francesa, entrevistada na rua, que proferiu algo como isto:
- E se nós fôssemos aos países deles...poderíamos usar uma mini-saia?
Concluo que não estranho ( como já ouvi referenciar ) a subida percentual nas próximas legislativas do partido de Le Pen...com analogias assim, e com um aparente carácter de “É óbvio que não!” a uma pergunta destas...só poderei mesmo achar que as mini-saias é que estão na moda!
Arrotos do Porco: