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Vareta Funda

O blog dos orizicultores do Concelho de Manteigas


quinta-feira, fevereiro 19, 2004

Raios partam a fome!!! Acordei a pensar no que ía fazer esta manhã e só me vinham à cabeça ideias tolas de encher a barriga. Lembrei-me de tudo, desde ovos estrelados com bacon, a quilos de batatas fritas a acompanhar um bom bife e muito feijão (daquelas coisas porreiras que aumentam o colesterol só de pensar). Levantei-me, apanhei a caneta e agradeci a insulina que me acalmou um pouco (também que triste ideia a idade trazer-me diabete).

Enquanto me lavava não conseguia tirar da cabeca a visão da comida e da gordura a pingar. Tudo isto me fez pensar que se calhar mais vale um enfarte de miocárdio do que esta vida. Não posso comer; beber, então, está fora de questão (se pusessem a glicémia num sítio que eu cá sei faziam um figurão); cada vez que acendo um cigarrito tenho a familia a olhar para mim como se eu estivesse a beijar o Bin Laden ao mesmo tempo que apalpava o Saddam. Meus caros, isto é imbecil! UM CIGARRO não me vai matar - é certo que os três macitos por dia são capazes de fazer a sua diferença, mas também que diabos um homem tem que viver! Agora experimentem lá pensar um pouco, o que acham da vida sem poder comer, sim, porque aquela dieta que me pespegam à frente todos os dias não pode, seguramente, ser qualificada como comida, afinal a comida tem sabor, cheiro, consistência... a isto juntem só poder beber água lisa, daquela que é mesmo boa para lavar pratos. Não posso fumar, não posso foder (a diabete e a idade tem destas coisas...), se me esqueço e ponho açucar, o pâncreas resolve lembrar-me que está ali, mesmo só, para ocupar espaço; e, para compôr o ramalhete não posso ir a lado nenhum sem a insulina. Estou como o meu filho quando era bébé, para me mexer tenho que ver se tenho tudo na malinha!

Tudo, para dizer que ontem passei num armeiro. Entrei, olhei, demoradamente, para as armas expostas, corri os dedos por elas, verifiquei a folga do gatilho de algumas, até que me considerei satisfeito com a minha escolha. Paguei a dita cuja, coloquei-a na caixa respectiva e levei-a comigo.

Entrei em casa, sentei-me na minha poltrona preferida, há anos que ela me apoia as dores, me escuta as mágoas. Estiquei as pernas e tirei a minha recente aquisição de dentro da caixa, passei os dedos pelo cano, carreguei-a, verifiquei uma e outra vez a folga do gatilho. A coronha tinha as dimensões perfeitas e o cano reluzia no lusco-fusco do fim de dia. Encostei o metal na cara e senti o frio perpassar-me a pele. Fechei os olhos e esperei um pouco... Passado algum tempo senti chaves na fechadura, entreabri os olhos, segurei a coronha com força e tirei a folga do gatilho por uma última vez.

O sangue saltou em rojo e espalhou-se no tapete, os olhos teimavam em querer lutar, ingloriamente, contra o peso das palpebras. A cabra estava estendida no chão, sempre quero ver como é que ela, agora, vai comer o vizinho. Sim, posso já não ter força, posso já não ter nada, mas CORNO MANSO NÃO SOU!!!



Arrotos do Porco:


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