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Vareta Funda

O blog dos orizicultores do Concelho de Manteigas


quinta-feira, fevereiro 19, 2004

PORQUE NÃO?


É premente discutir coisas que têm discussão. Sobretudo quando não tenho nenhuma opinião concreta formada sobre o assunto em questão. Por mais que possa esmiuçar certos assuntos controversos, existe sempre aquela ponta de dúvida, que me faz pender para um “porque não?”...

Dá-me alguma intraquilidade, que não é necessariamente uma forma de insegurança, pensar que não tenho uma opinião...ou seja, se fizessem um referendo sobre determinado assunto, não gostaria de votar em branco, só porque não me tinha debruçado o suficiente sobre o tema. Não por desleixo, mas sobretudo pela quantidade de prós e contras, que se alternam e degladeiam, sem fim à vista.
Gosto de sentir o conforto de ser a favor, ou de ser contra...sobretudo, quando envolve causas do direito básico das pessoas, assente em princípios de justiça, mesmo quando globaliza os pequenos grupos. Sobretudo, dá-me até um certo gozo, opinar sobre essas questões, e transmitir com alguma confiança as minhas razões, mesmo quando essa minha opção é intrínseca a uma pequena minoria.
Resumo então que é quase impossível ( porque fico a pensar durante horas, até me convencer do “sim ou sopas” ) haver um tema da nossa sociedade, sobre o qual eu não penda para um dos lados da balança!

Um destes raros acontecimentos, é a questão premente e actual, da possibilidade de casais homossexuais poderem adoptar crianças.
Não me querendo ( sem hipótese ) alongar no assunto, deixo já claro que sou a favor dos direitos legais - enquanto casal - de todos os casais homossexuais, nomeadamente as “tretas” do casamento, crédito à habitação, etc. Digo tretas, porque para mim, o casamento não é assim tão importante, e todos os regulamentos vigentes são susceptíveis de poderem ser deturpados, em favor da conquista do fim a que se propôem. Mas, estes “pormenores” tornam-se por vezes o “cavalo de batalha” de algumas minorias, porque é a ferramenta de uma justificação de uma hipotética submissão a que eventualmente estarão sujeitos por parte de um estado vigente que não ( será? ) os acolhe, da mesma forma que acontece com as maiorias. Este oportunismo, quanto a mim é falicioso, e é alvo de crítica...aqui fica desde já a minha! Não gosto de os ver falar como “os coitadinhos”...

Posto este preâmbulo cabe-me aqui analisar os prós e os contras.
Começo pelos contras, e nos princípios básicos da criação. Alguém nasce com um Pai, e com uma Mãe ( poderão estar ausentes ou não, mas para a concepção foram necessários estes personagens ). Contestam então que, por esse motivo não deverão adoptar crianças aqueles que não têm estes requisitos mínimos.

“Não contam dois pais, nem contam duas mães.”

Ora, eu questiono...e os casais inférteis?Não têm igualmente esse poder de concepção...porquê então a possibilidade de adoptarem crianças? Pelo facto de ser um pai e uma mãe, ou seja, pelo assumir do papel de PAI e MÃE, individualmente?
Ponho o necessário rebatimento...é de facto estranho, forçar-se num casal de homossexuais, a que um dos membros faça o papel de pai ( no caso de um casal de lésbicas ) e noutro, um se proponha a fazer o papel de mãe ( obviamente no casal de gays ). É ridículo, e acho que por vezes, duas mães resultam melhor do que uma mãe e um pai...como o contrário também será possível.
O fundamento de existirem os dois, enquanto entidades separadas, para justificar uma opção de “contra”, leva-me a pensar no meu caso. Sou filho de pais divorciados desde muito novo...nunca senti, por capacidade natural da minha mãe, a falta de um pai no meu seio familiar. Nunca fui condenado, humilhado, prejudicado por esse motivo. A não ser, por parte daqueles que por natureza não o deveriam fazer.
Relato aqui a única altura que de facto me senti “tocado”. Estava em 1986, numa aula de Religião e Moral ( naquela altura em 30 alunos, éramos 28 nesta aula...ao contrário dos nossos dias...em 30, só dois é que frequentam...vá-se lá saber porquê! ). A certa altura a professora pergunta:
- Quem é que de vocês tem pais divorciados?
Só eu é que levantei o braço...resposta imediata:
- Deixa estar, filho, tu não tens culpa de teres uns pais assim!

Ora...eu nunca tive queixa nenhuma dos meus pais. Gosto deles como são, com as suas virtudes e defeitos!Mas não deixa de ser curioso que, a maior crítica ( ridícula, claro! Não fiquei minimanente afectado, mas passaram a ser só 27 inscritos...) viesse daqueles que, supostamente, o não deveriam fazer.

Tudo isto, para reflectir qual o papel da criança na sociedade, e qual a recepção que ele iria ter no seu contexto diário. Não tenho dúvidas que a maior discriminação será sempre feita por aqueles que, obcecados, fundamentam e regem a sua vida em princípios claramante desajustados. São desajustados, mas respeito-os. E isto é importante...o respeitar de uma criança, que seria ( eventualmente ) adoptada por casais homossexuais é fundamental para a continuação da verdade dos direitos das pessoas. Porque é uma criança...e porque ( ridículo, mas pronto... ) “ela não tem culpa de ter uns pais adoptivos assim”!

Uma mãe por vezes é melhor do que uma mãe e um pai!
Não ter pais por vezes é melhor do que os ter... por isso, muitas vezes algumas pessoas, a quem foi concedido essa “iluminária” de poderem conceber crianças, têm o discernimento de as “abandonar em caixotes de lixo”, ou de as “darem” ( gosto do termo “dar uma criança” ) para a adopção. Se o lar que as acolher for um lar saudável, onde haja o respeito e o equilíbrio, questiono-me....porque não então, se forem duas mulheres?Ou mesmo dois homens?

Aliás...estas duas mulheres, nasceram e foram educadas pelos ditos casais de heterossexuais, que os conceberam....logo, poderão facilmente dar a educação que os pais lhes transmitiram! Porque sem dúvida nenhuma, nem sempre são estes os resposáveis pela opção ( prefiro chamar natureza ) sexual dos seus filhos!
Coloco porém mais entraves a um casal de homens...mãe é mãe!
Mesmo um casal de mulheres, tem sempre lá no fundo, uma natureza especial. Tem o poder da concepção, da fertilidade...já o casal de homens, será mais difícil....mas mesmo neste caso pergunto...porque não?

Por fim, realço que o processo de adopção, rege-se por critérios muito rigorosos, e sobretudo, por uma avaliação real e concisa dos futuros pais adoptivos! Se o casal homossexual preencher os requisitos necessários, depois de várias avaliações, volto a perguntar...porque não?
Quanto a mim, esta questão irá sempre depender das pessoas em questão...tenham elas as opções sexuais que tiverem! Porque, em nenhuma altura me parece crível, que no questionário de adopção se encontre a questão:
- São homossexuais ou não?

Arrotos do Porco:


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