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Vareta Funda

O blog dos orizicultores do Concelho de Manteigas


quarta-feira, fevereiro 25, 2004

O vazio das sombras. Os ruídos latentes que percorrem o silêncio. Sentir o chão a fugir debaixo dos meus pés. Sentir a alma que arrefece e beber um café requentado. Queria fugir daqui e ir para aí. Sentir o fogo que me queima e casar-me com o teu vazio. Queria amar-te só para me lembrar que tu existes, queria matar-te só para me lembrar que já foste minha. Tocar-te, sentir o calor que já nao tens. Olhar para ti como tu olhas para mim e sentir em ti o nada que tenho em mim.

Fechar as luzes e apagar os sons, levantar-me e tocar-te. Queria ter-te aqui junto de mim para poder ter-te longe de mim. Enquanto te tenho nos meus braços sinto que fujo de ti, para longe, para perto, para lado nenhum. Quero beijar-te e amar-te, quero lavar-te, quero te manter perto de mim, só assim sei que não terás distância para onde fugir.

Menti-te e enganei-me. Disse que te queria para mim, para sempre, para além do bem e do mal. Relembrei-me de mil promessas feitas, de mil sonhos rasgados. Procurei em ti o eu que já não tenho em mim. Descobri em mim os destroços do teu ser, da tua alma agora fria e do teu pensar um dia quente.

Ontem estive a ver-te e a rever-te, em fotografias antigas e novas, em albuns queridos e rasgados. Vi-te no fundo do mar e sobre o céu que me percorre. Toquei-te o corpo, percorri os meus dedos pela tua pele, senti as rugas que te percorrem. Não sei quando te perdi, nem quando te encontrei, sei que ainda aqui estou à espera de te perder outra vez.

Arrotos do Porco:


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