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Vareta Funda

O blog dos orizicultores do Concelho de Manteigas


terça-feira, janeiro 27, 2004

RICAS OBRAS

Cornell Capa - Palestinian Arabs who had fled to Jordan during the Six-Day War, 1967

Estou ( por imposição das opções escolares que fiz quando ainda não pensava ) embrenhado no meu dia-a-dia, em rolos de papel de formatos não muito usuais, lápis por afiar e réguas das mais diversas escalas. Não desgrudo da merda do computador ( com o respectivo apêndice – a plotter ). Passo horas à frente do monitor, com excepção daqueles momentos ( que me dão um refutado prazer ) em que recebo graciosamente a chamada de um qualquer cliente para me deslocar à obra, a fim de solucionar ou inventar problemas...esta oposição depende da minha perspectiva ou da do cliente respectivamente, como é aliás tradição das mais antigas relações entre est(a)s duas personagens do panorama construtivista civilizacional português, e não só!

A obra é por norma, um local sujo, barulhento, sombrio, onde impera alguma rudeza e indelicadeza por parte de todos os seus intervenientes! É toda esta amálgama de defeitos que me agrada, porque no fundo, todas elas confluem a um final, que se pretende perfeito! Este processo de criação de algo que criei anteriormente é algo que gosto de abordar! Dá-me um prazer imenso falar com trolhas, pedreiros, carpinteiros, estucadores, serralheiros... porque são eles que tocam na matéria-prima que escolhi ( com o cliente ) para a criação do objecto! São eles que me contam as suas experiências...que passam doravante a ser minhas também! Gosto de moldar as opiniões no sentido de não verem este estranho da obra, como o “gajo que manda partir paredes”, mas antes, o “gajo que está a aprender com eles...e que por vezes também manda partir paredes”! Normalmente não entro em profundos diálogos com estes homens ( sim, a obra ainda é uma coisa de homens ), até porque “não é para isso que lhes pagam”...mas, sempre que posso, lá lhes pergunto os porquês!
Isto tudo para dizer que a obra, para todos os seus intervenientes, é um acontecimento especial e de certa forma, um local agradável! Quando me refiro a todos, obviamente que excluo desta amálgama, o próprio cliente! Não só porque é um processo moroso e desgastante, como também, este local ( antes de concluído ) ainda não é, indubitavelemente, a casa dos seus sonhos... há-de ser! Com alguma persistência, calma e perserverança, lá os vou convencendo que “está quase”, e que ”não custa nada”...no fundo é fácil construir uma casa!

Agora sim, isto tudo para vos dizer que, na casa da minha mãe ( um apartamento que até há uns 2 anos atrás, era a “minha casa” ), andam lá estes “gajos das obras” que “nunca mais acabam aquela merda”, e “que não param de fazer barulho”! Será que “é preciso 1 mês para colocarem meia dúzia de azulejos e umas louças na casa de banho?”. E, é “necessário a minha mãe varrer a puta do parquet, 2 vezes por dia, para limpar o esterco que aqueles car****s fazem?”...da-se! Também vos digo...

-"Foi a primeira e a última vez que a minha mãe faz obras lá em casa"...Nunca mais vou deixar! Tenho ido jantar fora todos os dias neste mês, porque a “merda da mobília está toda fora do sítio!”. Não há pachorra para estes gajos...

Arrotos do Porco:


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