| terça-feira, dezembro 16, 2003 |
De onde vem esta escuridão tão toda?
Acabo de almoçar e é de noite e eu sei que é um exagero mas o sol cai antes da primeira garfada enquanto analiso com fome o tempero e o sol foge de mim mas devia era brilhar na ponta dos meus dedos sem deixar marcas só que nada acontece e nos meus dedos debaixo das minhas unhas brincam farpas mas é com as mãos que eu vivo, escrevo, agarro, aperto um livro, renego o incómodo que é pouco mas é insistente renego a tendência para o abismo para o fundo do poço que só aparece quando acabo o almoço quando o sangue deixa a cabeça e os ouvidos e os meus olhos feridos defeito congénito o sangue sempre ele instala-se perto das costelas derrete destrói a comida transforma-a em vento para as minhas velas eu ando numa dança de loucos eu não consigo eu ando a poupar no oxigénio eu ando a ver demais a interpretar demais a cansar-me demais os bolsos e os braços cheios de receio eu não quero eu não vim ao mundo a passeio ainda que eu não veja bem as cores eu devia rir e cuspir nos meus terrores eu quero andar à vontade e descalço nos cacos de vidro no fogo nas brasas tudo o que não serve só atrasa eu olho para os meus dedos mas eles parecem garras.
Acabo de almoçar e é de noite e eu sei que é um exagero mas o sol cai antes da primeira garfada enquanto analiso com fome o tempero e o sol foge de mim mas devia era brilhar na ponta dos meus dedos sem deixar marcas só que nada acontece e nos meus dedos debaixo das minhas unhas brincam farpas mas é com as mãos que eu vivo, escrevo, agarro, aperto um livro, renego o incómodo que é pouco mas é insistente renego a tendência para o abismo para o fundo do poço que só aparece quando acabo o almoço quando o sangue deixa a cabeça e os ouvidos e os meus olhos feridos defeito congénito o sangue sempre ele instala-se perto das costelas derrete destrói a comida transforma-a em vento para as minhas velas eu ando numa dança de loucos eu não consigo eu ando a poupar no oxigénio eu ando a ver demais a interpretar demais a cansar-me demais os bolsos e os braços cheios de receio eu não quero eu não vim ao mundo a passeio ainda que eu não veja bem as cores eu devia rir e cuspir nos meus terrores eu quero andar à vontade e descalço nos cacos de vidro no fogo nas brasas tudo o que não serve só atrasa eu olho para os meus dedos mas eles parecem garras.
Arrotos do Porco: